Como isso ocorre? As moléculas de ozônio absorvem a radiação ultravioleta do Sol, ajudando a esquentar a estratosfera, fatia da alta atmosfera onde se encontram. Com menos ozônio estratosférico à disposição, esse pedaço da atmosfera fica mais frio. E isso, por sua vez, fortalece o vórtice polar - um imenso redemoinho que domina a circulação de ar sobre o continente austral e mantém a Antártida normalmente fria.
A força desse vórtice depende do gradiente [ou seja, da diferença] de temperatura entre a região polar e o resto do planeta. Com o vórtice mais frio, esse gradiente aumenta, fazendo com que ele gire com mais força. Resultado: os ventos violentos criam uma espécie de muralha de ar entre a Antártida e os demais continentes, o que explica a falta de um aquecimento considerável no continente austral.
Mas nem tudo são flôres: conforme o buraco na camada de ozônio for se fechando, o que deve acontecer completamente até ao fim deste século, é provável que o aumento das temperaturas finalmente atinja o coração da Antártida.
Quando dizem que a natureza é sábia, que ela encontra seu próprio caminho sempre, não dá para negar que existe razão nisso tudo: Criado pelo próprio Homem, o problema do buraco de ozônio transforma-se numa salvação temporária para a Antártida, evitando o degelo acelerado causado pelo aquecimento global, fruto do próprio Homem. Como a camada de ozônio tende agora a reestabelecer-se dentro de algumas décadas, com certeza é tempo mais do que suficiente para que o Homem tome juízo e combata eficazmente o aquecimento do planeta. O que esperamos que seja realmente feito, claro.
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